Pular para o conteúdo principal

Apagão

ÊÊÊÊÊÊÊ... essa é a reação do pobre quando a luz acaba. Eu não sei como tem gente que consegue ficar feliz quando acontece um apagão, ainda mais em pleno século XXI, onde praticamente tudo depende de energia elétrica. A luz é uma coisa de Deus. Quando Ele criou o mundo, disse: Haja luz! Então é divino. Amém?!
Por mim, teria que ter um dia em homenagem ao Thomas Alva Edison. Afinal, foi ele quem descobriu o que hoje todo mundo usufrui, a eletricidade. Se bem que seria só mais um feriado no ano, pois muita gente não sabe quem foi esse cara e o que ele fez pela humanidade. Assim como o Tiradentes. Acredito que pessoas creiam que ele foi um dentista.

Mas enfim... esses dias estava eu com os meus a fazeres na frente do computador quando de repente, acabou a luz. Eu fiquei muito puto chateado, como sempre. E o que me dá mais raiva é esse tal grito de felicidade dos vizinhos, porém tenho que admitir que serve pra alguma coisa, porque é uma espécie de alarme avisando que a rua inteira foi atingida. No dia em que apagar tudo na sua casa e a vizinhança não gritar, vá conferir as contas de luz, certamente não estão pagas.

No momento do apagão, sempre tem uma voz de fundo que diz: Tira tudo da tomada! Ao andar pela casa, as quinas dos móveis se tornam nossos piores inimigos. Descobrimos algumas que nem sabíamos que existiam. Temos que andar olhando para todos os lados mesmo não enxergando nada atentos, pois tem uma tropa nos observando, prontos para darem o bote. E quando você pensa que conseguiu passar ileso pelo campo minado do inimigo... Ai meu dedo, filho da p#@!%.
Logo após o ataque das quinas, sigo o meu rumo até às velas. É incrível como casa de pobre sempre tem um estoque de velas. E elas nunca ficam em lugares de fácil acesso, no escuro complica mais ainda a localização delas. Pior quando se esquece de comprá-las. Na verdade quase ninguém dá valor as velas, só percebem o valor delas nesse momento de escuridão.
Ao ir no portão bate uma angústia quando vejo luz alguns quarteirões depois do meu. Parece que alguém fez isso de sacanagem. Tipo aquelas armações de filmes americanos.
Encontro toda a vizinhança nos seus portões de papo furado, até vejo gente que nunca vi no meu cotidiano. Faltar luz é sempre um pretexto pro pessoal ficar a toa na rua. Eu pelo menos não aguento ficar dentro de casa por causa dos mosquitos, aliás, eu não sei porque eles existem, não servem pra nada essa é uma das piores partes de ficar sem luz a noite. O mais impressionante é que só falta luz a noite, só pra ficar difícil de dormir com o calor. Ou então no frio, quando te pega naquele momento que você ainda não tomou banho, e a água está mais gelada que um iceberg.
É bom pra quem é criança, pelo menos eu curtia muito mais um pique esconde na minha infância. Além do mais, criança não quer nem saber se está calor, se tem mosquito. Pra ela, tudo é motivo de festa. Quando eu era criança eu pensava que a vida podia ser uma queda de luz de noite de tão legal que era. Só que nós crescemos, não brincamos mais de pique, e então ficar sem luz passa a ser uma tortura.
Mas como nada é eterno, finalmente a luz volta. Mas isso só acontece quando nós já conseguimos dormir com muito custo e já no dia seguinte. Ninguém sabe como, quem, e que horas a sagrada luz voltou.

- Ayrton Miguel

Comentários

  1. Ahhhhh, muito show! É realmente assim que acontece cara. O melhor disso é sempre pensar no lado bom, quem sabe um jantar a luz de velas, um jogo de cartas com petiscos e com os amigos. Se realmente acontecer de a luz acabar, temos uma chance de nos divertimos de alguma maneira. Ah, e vamos combinar, definitivamente não deveria existir mosquitos. Insignificantes são eles! Parabéns pela crônica! :B

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É verdade, sempre tem um lado bom pra tudo.
      Muito obrigado Jéssika! Fico feliz por ter curtido.

      Excluir
  2. Ficou ótimo como sempre !! É é bem assim que acontece quando acaba a luz . Mosquito , vizinho na rua , calor e desespero , porque as vezes agente está fazendo algo importante no computador e quando acaba a luz você perde tudo o que você tinha principalmente se for algum trabalho escolar . Muito bom mesmo , parabéns !

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente. Por isso é sempre bom ir fazendo os trabalhos e salvando toda hora, rs.
      Muito obrigado Lais!

      Excluir
  3. Adorei, e engraçado, que esse fato é universal, quem ler esta crônica vai identificar, imaginar e rir das situações!
    Muito bom mesmo, parabéns! *-*

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É... e não vão ser poucas pessoas que vão se identificar não, vão ser muitas, rs.
      Que bom que curtiu. Muito obrigado Rayanne! *-*

      Excluir
  4. Camarada, ficou realmente muito bom.
    Não sabia que você escrevia ... Parabéns.

    ResponderExcluir
  5. Excelente, você escreve maravilhosamente bem!!!Lembrando que o CSL terá um jornal,aceitaria escrever-nos algumas crônicas? Sucessos jovem!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigado querido!
      Opa, adoraria. Vamos ver isso sim.

      Excluir
  6. heheh muito show Miguel, gostei muito! Está de Parabens!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Vai lá, comenta.

Postagens mais visitadas deste blog

DIVAS DO PORTÃO

Quem é que não tem aquelas vizinhas que ficam de plantão em seus portões 25 horas por dia para ficarem ligadas em tudo que acontece no bairro? Todo mundo tem! Isso é um mal que cerca a humanidade em todo canto do mundo, gerações após gerações. É uma herança, um legado que as velhas fofoqueiras deixam para as suas gerações seguintes. Quando a velha morre – por que normalmente essas pessoas são mulheres idosas – a filha já está dando continuidade ao que ela fazia, e a neta já cresce neste meio aprendendo todas as manhas, e assim sucessivamente. Elas são o verdadeiro Posto Ipiranga, pois sabem todas as informações sobre qualquer coisa. Essa espécie é que nem baratas: morre dez hoje, mas nasce trinta amanhã. Em um só lugar existem muitas delas, mas normalmente tem uma que supera todas. A fofoqueira rainha! Essa senhora sempre acorda às 6 horas da manhã, senta numa cadeira em frente ao seu portão e começa a sua rotina de cuidar da vida dos outros, e sempre que vê algo diferente trata log...

Nada mudou

Começamos o ano com o pé direito. Ou não? Eu nunca entendi muito bem essa definição que as pessoas usam pra falar de uma coisa bem ou mal feita.  Pra mim, isso é uma prova de que os canhotos são descriminados. E de fato são mesmo.  Se nós formos usarmos essa definição, sugiro nós usarmos o pé esquerdo, sim, o  pé esquerdo. E porque começamos o ano com o pé esquerdo?  Pois bem. Na verdade nós não terminamos nenhum ciclo quando o ano  acaba,  apenas damos continuidade ao ciclo. Na prática, a virada de ano  é só mais um dia após o outro, apenas mais um dormir e acordar. A única mudança radical é na data, pois de fato é complicado se acostumar com a data do novo ano nas suas anotações, ou quando você vai colocar a data no cabeçalho da matéria do colégio. Acho engraçado quando vejo pessoas que não se falaram o ano inteiro se abraçando e se beijando quando dá meia noite, e logo depois volta tudo a...

PENA MÁXIMA NO BRASIL

Começa o julgamento de Elize Matsunaga – quatro anos depois do crime porque isso aqui é Brasil –, aquela que fez o marido de sushi. Para quem não está lembrado, ela tinha uma relação conturbada com o Marido, Marcos Matsunaga, dono da empresa Yoki. E numa bela noite de maio de 2012, ela esquartejou o marido – para quem não sabe, esquartejar é cortar algo ou alguém em pedacinhos como se fosse um cozido de legumes. E no meio do julgamento o advogado de Elize disse que ela fez isso em legítima defesa. Bom, deve ter alguma coisa errada. Tudo bem que na noite em que ela matou ele, segundo ela o mesmo tinha dado um tapa na cara dela e vinha traindo-a constantemente. Mas talvez uma separação resolveria as traições e talvez uma delegacia para mulheres resolveria as agressões dele contra ela. Então pense bem antes de esquartejar alguém, porque você pode ter outras opções mais leves para escolher. Mas o que me deixa mais intrigado, porém, não é o esquartejamento do sujeito – isso não me ...