Quem é que não tem aquelas vizinhas que ficam de plantão em
seus portões 25 horas por dia para ficarem ligadas em tudo que acontece no
bairro? Todo mundo tem! Isso é um mal que cerca a humanidade em todo canto do
mundo, gerações após gerações. É uma herança, um legado que as velhas
fofoqueiras deixam para as suas gerações seguintes. Quando a velha morre – por
que normalmente essas pessoas são mulheres idosas – a filha já está dando
continuidade ao que ela fazia, e a neta já cresce neste meio aprendendo todas
as manhas, e assim sucessivamente. Elas são o verdadeiro Posto Ipiranga, pois
sabem todas as informações sobre qualquer coisa. Essa espécie é que nem
baratas: morre dez hoje, mas nasce trinta amanhã.
Em um só lugar existem muitas delas, mas normalmente tem uma
que supera todas. A fofoqueira rainha! Essa senhora sempre acorda às 6 horas da
manhã, senta numa cadeira em frente ao seu portão e começa a sua rotina de
cuidar da vida dos outros, e sempre que vê algo diferente trata logo de reunir
a associação de fofoca do bairro – que no caso são todas as mulheres que não
tem o que fazer. Eu sei por que eu tinha uma vizinha que era exatamente assim.
Era impressionante a capacidade que ela tinha de não fazer nada, de ter uma
vida completamente vazia.
Engraçado como todo mundo reclama desses seres humanos, mas
ninguém admite que tem uma avó, uma tia, ou até a própria mãe assim. Minha mãe
não é assim, mas tenho muitos parentes que são assim. Menos mal, pelo menos
eles estão longe de mim, pois não moro perto de nem um deles, já bastam os meus
vizinhos. Eles sabem mais da minha vida do que eu próprio. Tem coisas que eu
sou e que eu faço que nem eu mesmo sabia. É um dom incrível que esses seres
humanos tem.
Acho que essas pessoas tem uma grande vocação para o
jornalismo. Sim, jornalismo. Você deve está achando que estou de sacanagem, não
é? Pois não estou! Por que se você for parar para raciocinar, o jornalismo nada
mais é do que uma fofoca profissional. Sabem de tudo um pouco, e levam as informações
para o povo sobre os acontecimentos e sobre a vida das pessoas. E esses nossos
vizinhos fofoqueiros são os parceiros do RJ. Você pensa que existe só um para
cada bairro? É ruim, hem. São vários, você que não vê, pois estão no anonimato.
A fase de ficar no portão tomando conta da vida alheia é o
primeiro estágio do jornalismo, para depois a pessoa se profissionalizar.
Depois ela decide se quer seguir essa carreira ou vai fazer disso só um hobbie.
Você acha que a Fátima Bernardes não ficava no seu portão fazendo o seu
jornalismo medíocre (a fofoca)? Mas é claro que ficava! Só que ela foi
inteligente e viu nisso uma oportunidade para se tornar alguém na vida. Deixou
as amigas do bairro dela para trás e tornou-se alguém na vida, formada em
fofoca profissional.
Estou aqui acabando com a imagem das mulheres, mas alguns
homens também estão entrando nessa onda de cuidar da vida dos outros. E todo
mundo sabe que isso é pior para o homem do que para a mulher, porque isso é da
natureza feminina. Espera aí, será então que os homens que fazem isso são...
Deixa pra lá, estou querendo saber demais. Eu vou para o meu portão, pois tenho
mais o que fazer.
- Ayrton Miguel
- Ayrton Miguel
kkkk Muito bom!
ResponderExcluirEu moro em prédio, saio de casa às 7 da manhã todos os dias e já tem gente lá embaixo de plantão no pátio pra tomar conta da vida de quem entra e sai. É complicado kkk'. Mas o ruim mesmo era quando eu namorava. Eu ficava numa boa conversando com meu namorado lá embaixo e no outro dia minha mãe ficava sabendo de cada absurdo, que chegava a ser engraçado!. O ruim mesmo é gente fofoqueira que toma conta da vida dos outros e ainda aumenta as coisas. Falou tudo!
ResponderExcluirComo é que pode, né? Nem em prédio que não tem portão estamos livres disso, hahaha.
ExcluirIncrível !!!!!! pura verdade rsrs
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