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QUERIDO CIGARRO...

Querido cigarro, hoje eu não tive um dia muito bom; aconteceram algumas coisas desagradáveis. Ah, claro, você já sabe. Eu lhe usei para desabafar e ficar um pouco aliviado. E te digo que você tem sido um ótimo companheiro nesses momentos. Um fiel amigo com quem eu posso contar e saber que vai me deixar mais relaxado diante de alguns problemas. Hoje em dia é bem difícil encontrar um amigo assim; não se encontra em qualquer esquina.
Você é tão meu amigo que eu me tornei dependente de você. Qualquer coisa eu te procuro. Estou triste? Vou fumar um cigarro. Discuti com alguém? Vou fumar um cigarro. Estou ansioso? Vou fumar um cigarro. Dívidas? Só um cigarrinho mesmo. Estou sem dinheiro? Me dá um cigarro aí!
Apesar de saber que você não faz tão bem assim, você é uma ótima válvula de escape. Desculpa, eu não quis te ofender, mas você sabe que causa alguns danos sim. Porém, todo mundo tem alguma espécie de apego para ter como refúgio, e eu me apaguei a você. Mas vou ser bem sincero... eu pretendo te largar e partir para outra. Desculpe novamente, não foi minha intenção te ofender de novo.
O que eu quero dizer é que cada um tem uma forma de esquecer momentaneamente seus problemas, suas angústias e tristezas. Alguns descontam em prazeres fora do casamento, outros na bebida, outros se drogando, outros lendo, outros escrevendo, – me encaixo na parte da escrita e da leitura – e por aí vai. São diversas as opções, é só você escolher e relaxar. Portando, quem tem o direito de julgar como errado os apegos dos outros?
Então se quando você estiver nesses momentos ruins e sua válvula de escape se apagar, acenda-a novamente.

- Ayrton Miguel

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