Agora sim o ano começou, portanto, feliz ano novo – ou
infeliz. Não é assim que dizem? Que o ano só começa depois do carnaval? E como
sempre, tudo terminou em samba, literalmente. Não foi preciso muito tempo para
a amnésia bater no povo novamente. Claro, com tantas festas e blocos para
curtir, pra que se preocupar em continuar lutando pelos seus direitos? Pular
carnaval todos os dias até o alvorecer cansa menos.
Pegaram ônibus para ficarem de galho em galho pelas ruas e nem
se deram conta que estavam pagando 25 centavos a mais do que estavam
acostumadas a pagar pela passagem. A maioria com certeza até prestaram atenção
nisso, mas acharam que não era o momento para tocar nesse assunto. Agora vão
voltar às suas rotinas normais e vão se dá conta. Porém vai ser tarde demais reivindicar
essa questão, pois o sistema vai jogar na cara de que deu diversão ao povo e
ninguém tem do que reclamar. E dessa vez o povo vai acatar num instante. E sabe
como? Assim que a amarelinha entrar em campo na Copa do Mundo. Dribles
desconcertantes serão dados no transporte, na saúde, na educação, na economia e
entre outros fatores que são importantes para uma cidadania digna.
O país sendo representado pelo futebol não serve de nada,
apenas para mostrar que a ignorância reina com clareza. Primeiro que o Brasil
em campo não é mais o melhor do mundo há muito tempo, segundo que para os
homens de terno em Brasília é interessantíssimo as pessoas berrarem nos
estádios e sofrerem por um gol perdido pelo Neymar. Nada contra o Neymar, só o
citei porque é o nome com mais visibilidade no momento. Aliás, tenho uma coisa
contra sim, o salário dele. Acho que seria justo um médico, um professor,
bombeiro, policial, receberem o mesmo que ele recebe. O Brasil não tem que ser
o melhor do mundo no futebol, e sim na dignidade do povo que habita nele.
Me perguntam se não torço para o Brasil. Imagina, eu não sou
tão radical assim... quer dizer, sou sim. Mas eu não torço mesmo! Não torço para ser um a menos no
meio da multidão a concordar com essa alienação toda. Quanto ao carnaval, não
gosto, para que meu cérebro não se transforme num bloco, num bloco de cimento.
Tenho medo dessa cegueira crônica.Se o capital que é usado para esses “investimentos” fossem
usados para melhorias do país, não teríamos do que reclamar. O que é feito nada
mais é que uma venda, uma venda para os ingleses verem que está tudo bem e que
todo mundo está sorridente. E o que me deixa pasmo é que a grande maioria se
vende a preço de banana. Essa maioria fica com os olhos brilhando com obras e
mais obras em estádios de futebol, com passarelas cada vez mais modernas para
carros alegóricos passarem com suas fantasias e baterias. Não consigo ver
sentido algum nisso. Portanto, meio por meio desta dizer que não estou à venda.
- Ayrton Miguel
- Ayrton Miguel
Muito bom o seu ponto de vista. Concordo mais ainda na parte que você disse que é um absurdo o salário de um jogador de futebol. Como se fosse mais importante correr atras de uma bola que salvar uma vida. Brasil um pais de todos, só que não !
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